COLEÇÃO HISTÓRIA DE GARANHUNS
Folhear as páginas deste décimo primeiro volume da “Coleção História de Garanhuns” é embrenhar-se por uma vereda onde o tempo não destrói, mas consagra. Sob o título feliz de “Retalhos de Garanhuns”, esta obra não se propõe a ser um compêndio frio de datas e ordenações oficiais. Ao contrário: é um relicário de vivências, uma colcha tecida pelas mãos sensíveis de cronistas que souberam colher o lirismo do cotidiano, a altivez dos vultos humanos e a pulsação histórica de uma terra singular. Cada crônica aqui reunida é um pedaço de tecido vivo que, costurado ao próximo, veste a nossa Garanhuns com os trajes da sua mais profunda identidade.
Fragmentos de uma Época de Ouro
A viagem ao passado começa com o olhar atento do Capitão Francisco Sales Vila Nova e suas ‘Histórias do Tempo Antigo’, que nos devolvem os ecos de uma urbe em formação, onde a pacatez das ruas contrastava com os sobressaltos da história profunda do interior - aqui ilustrada de forma dramática no episódio de ‘A Morte do Cangaceiro Cabo Preto em Brejão de Santa Cruz’, um registro vívido das marcas do cangaço no Agreste Meridional.
Mas a alma de um povo também é feita de acordes, de fé e de desprendimento. Como esquecer as notas musicais que outrora ecoavam dos dedos do inesquecível Pianista Ariosto? Ou o legado de altruísmo, ciência e evangelização deixado pelo pioneiro Dr. George William Butler? Figuras como Belarmino da Costa Dourado e o carismático Alfredo José de Azevedo, eternizado no afeto popular como “Meu Louro”, desfilam nestas páginas como testemunhas de um tempo de honra e de convivência calorosa.
Essa hospitalidade lendária da nossa gente ganha corpo e arquitetura nas crônicas dedicadas aos velhos casarões que abrigaram os viajantes de outrora. A influente comunidade italiana ressurge em ‘Hotel Familiar e a Influência Italiana em Garanhuns’, mostrando como os ventos da Europa moldaram nosso comércio e costumes, dialogando harmonicamente com a hospitalidade telúrica descrita em ‘O Acolhedor Hotel Mota’, pelo cronista João Marques dos Santos - oásis de repouso para os que subiam a serra.
E se o dia garanhuense era feito de trabalho e acolhimento, a noite sempre foi o território do mistério. Nelson Paes de Macêdo evoca o imaginário popular e o arrepio das calçadas enevoadas em ‘A Lenda da Mulher da Madrugada’, lembrando-nos de que o mito também é guardião da história de uma cidade.
Ao final, este volume nos curva diante de homens que desafiaram a própria época com sua coerência e originalidade. Rossini de Azevedo Moura nos emociona com a saga de Leonildo Nunes da Silva em ‘Um Homem Além do Seu Tempo’, enquanto Mauro Ricardo Ferreira encerra esta coletânea com chave de ouro ao traçar o perfil do multifacetado Professor e Pastor Uzzae Canuto, figura excêntrica e genial que encantava os meninos jogando pião e desafiava as mentes com sua oratória e dedicação ao Colégio XV de Novembro.
Oferecer este Volume XI ao público é manter acesa a lamparina da memória. Que estes Retalhos inspirem os leitores de hoje a compreender que o presente que pisamos foi edificado pela coragem, pela arte e pelo caráter dos gigantes que nos antecederam.
José de Anchieta Gueiros Viana de Barros
VOLUME XI
Histórias do Tempo Antigo
A Morte do Cangaceiro Cabo Preto em Brejão
A Instrução em Garanhuns
Dr. Augusto de Oliveira Galvão
João Ferreira da Costa
Pianista Ariosto
Dr. George William Butler
Belarmino da Costa Dourado
Alfredo José de Azevedo "Meu Louro"
Hotel Familiar e a Influência Italiana em Garanhuns
O Acolhedor Hotel Mota
A Lenda da Mulher da Madrugada
Tiro Guerra Dantas Barreto
Coronel Argemiro Tavares de Miranda
Um Homem Além do Seu Tempo
Uzzae Canuto

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