terça-feira, 30 de junho de 2026

Retalhos de Garanhuns - Volume 10

COLEÇÃO HISTÓRIA DE GARANHUNS

A coleção Retalhos de Garanhuns atinge a emblemática marca de seu décimo volume, sob a zelosa pesquisa de Anchieta Gueiros e a indelével herança de Ulisses Viana, o que se oferece ao leitor não é uma mera sucessão de fatos datados, mas uma verdadeira cartografia d’alma da “Cidade das Flores”. Cada página deste tomo funciona como um tear, onde o fio do passado se entrelaça ao presente pelas mãos de cronistas que souberam ouvir o silêncio do tempo.

O volume se abre como um portal para as esquinas e praças de outrora. Pelos olhos atentos de Alfredo Leite Cavalcanti, somos transportados para o fervilhar de cores, confetes e cordões que davam vida ao Carnaval de Garanhuns no Início do Século XX, devolvendo-nos a inocência e a fidalguia das velhas festas momescas na altitude do Agreste. Essa sensibilidade para as manifestações do espírito também ecoa na figura perene de Jerônimo Gueiros, cuja erudição e compromisso com o saber continuam a iluminar os caminhos da nossa formação cultural.

A efeméride e a fundação identitária ganham relevo na crônica de José Cláudio Gonçalves de Lima, que desvela a mística e o civismo em torno do 18 de Agosto na História de Garanhuns, data que ressoa como um hino de emancipação e orgulho no coração de cada filho desta terra. Esse orgulho se personifica em vultos que forjaram o cotidiano da cidade: na têmpera militar e patriótica de Um Certo Capitão Pedro Rodrigues, resgatado com precisão e afeto por Ivan Rodrigues da Silva, seu neto; na retidão do esportista e do convívio humano com Antônio Hilário Sobral, imortalizado na crônica de Jaime de Oliveira Luna; e na presença popular e folclórica de Apolônio, figura carismática desenhada com maestria e humanismo pelo Dr. José Francisco de Souza.

Garanhuns sempre foi, por excelência, uma cidade de encontros e de prosas. Rinaldo Souto Maior nos convida a puxar uma cadeira e assentar o espírito nos Antigos Cafés de Garanhuns, espaços de tertúlias políticas e literárias onde o destino do município era debatido entre o aroma do café fresco e o sotaque da terra. É essa mesma atmosfera de efervescência urbana e transformações urbanísticas que Pedro Jorge Valença Silvestre captura ao traçar o painel de Garanhuns Entre as Décadas de 1940 e 1960, período de ouro em que o progresso e a tradição caminharam sob o clima frio das nossas noites.

Uma sociedade, contudo, também se sustenta pelos pilares da fé, da educação e da palavra escrita. A professora Lenice da Silva Melo, em um tributo de pura devoção pedagógica, resgata a trajetória de doação e luz da Madre Bernadete Berardo Loyo, cujo legado no Colégio das Damas permanece vivo nas gerações que educou. A própria história da liberdade de pensamento e da circulação das ideias em nossa comarca é celebrada nas Memórias da Imprensa de Garanhuns, através das páginas históricas do jornal O Monitor, testemunha ocular das dores e glórias do nosso povo.

Coroando esta antologia de retalhos preciosos, o volume nos presenteia com um documento de incomensurável valor histórico e teológico: a histórica entrevista concedida por Dom Jaime da Mota Farias ao jornalista e historiador Nelson Paes de Macedo, em setembro de 1982. Nas respostas do então recém-nomeado bispo-auxiliar, ecoa não apenas a voz de um pastor profundamente comprometido com os necessitados e com a renovação conciliar, mas também a profissão de gratidão eterna de um ex-aluno do “Gigante da Praça da Bandeira”, o Colégio Diocesano de Garanhuns, e de seu grande benfeitor, o Monsenhor Adelmar da Mota Valença.

Ao folhear este Décimo Volume, o leitor perceberá que os autores não juntaram retalhos por mera vaidade saudosista. Fizeram-no porque sabem que Garanhuns é um mosaico inacabado. Cada crônica aqui reunida é um fragmento de espelho onde podemos nos enxergar por inteiro. Que a leitura destas páginas seja, pois, um ato de comunhão com a nossa própria história.

RETALHOS DE GARANHUNS - VOLUME X 

O Carnaval em Garanhuns no Início do Século XX

Jerônimo Gueiros

18 de Agosto na História de Garanhuns

Um Certo Capitão Pedro Rodrigues

Antigos Cafés de Garanhuns

Antônio Isaac de Macêdo

Garanhuns Entre as Décadas de 1940 e 1960

Antônio Hilário Sobral

Apolônio

Madre Bernadete Berardo Loyo

Memórias da Imprensa de Garanhuns

Nelson Paes Entrevista Dom Jaime Mota de Farias

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