Crônicas da Suíça Pernambucana: Lançamento do Volume XII da Coleção Retalhos de Garanhuns
A natureza também deixou suas marcas profundas na história do Agreste, e este volume imortaliza um dos episódios mais impressionantes do século XX: A Queda do Meteorito em 1923. Através do olhar atento e da narrativa minuciosa de Arlinda da Mota Valença, o leitor redescobre o espanto e a fascinação que tomaram conta dos garanhuenses quando os céus riscaram o chão da nossa serra. Logo após, mudando o foco para as paixões populares, o livro celebra a memória esportiva de Lourival Dias, craque que honrou os gramados locais e fez vibrar os corações dos torcedores do nosso futebol de outrora.
Os monumentos que definem a nossa identidade visual e afetiva ganham capítulos de destaque. José Rodrigues da Silva nos oferece a lírica Crônica de um Relógio que é a Cara de Garanhuns, detalhando a visão pioneira que trouxe da Suíça o maquinário da praça que hoje é o nosso maior cartão-postal. Em seguida, num brado de profundo amor ao patrimônio, Nelson Paes de Macêdo ergue sua voz na crônica A Catedral de Santo Antônio, escrita em um momento crucial de 1978 para defender a preservação e o restauro da nave centenária, de seus altares e da arte imortal de Horácio Silva.
O progresso estrutural de Garanhuns é documentado com precisão histórica na reportagem especial de 1934 do jornal Diário da Manhã, que detalha a grande excursão do Clube de Engenharia e os monumentais melhoramentos no Abastecimento de Água em Garanhuns, sob a batuta técnica de Saturnino de Brito e a chegada dos colonizadores japoneses ao Vale do Mundaú. A esse espírito de evolução urbana soma-se a vibrante crônica publicada no jornal O Monitor, que consagra o “Brás” como Pilar de Resistência das Nossas Tradições, uma viagem deliciosa pelo comércio espontâneo, pelas mesas do Bar 1º de Junho, pela sinuca de Sebastião Pacheco e pelas vozes notívagas que vestiam de som as nossas noites frias.
Caminhando para o encerramento, o jornalista Ulisses Peixoto Pinto Filho resgata, através das páginas históricas de O Monitor, a crônica do Primeiro Encontro de Jornalistas do Interior de Pernambuco. Realizado em junho de 1981, esse conclave reuniu no Hotel Tavares Correia os maiores nomes da imprensa e da política do estado, como Joezil Barros e o senador Aderbal Jurema, celebrando a força da palavra escrita na defesa das causas do interior.
Por fim, coroando este volume com chave de ouro, deparamo-nos com o perfil detalhado de Francisco Figueira. O texto recupera o extraordinário legado de um dos “Melhores Prefeitos do Brasil”, administrador que eletrificou os distritos, modernizou a sede, conferiu à cidade o seu Brasão de Armas e colocou Garanhuns na vanguarda do progresso nacional sem jamais abdicar de seus altivos princípios democráticos.
Reunir estes escritos é um ato de profunda devoção à nossa terra. Cada cronista aqui presente atuou como um guardião do tempo, impedindo que a poeira dos anos apagasse o brilho dos nossos heróis, dos nossos monumentos e das nossas pequenas grandes histórias.

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