sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Retalhos de Garanhuns - Volume 14

Abrir este Volume XIV da coleção Retalhos de Garanhuns é empreender uma viagem no tempo em que os contornos da “Suíça Pernambucana” se revelam não apenas pela altitude e pelo clima ameno das Sete Colinas, mas pelo pulsar vivo de sua gente e de suas tradições. Cada texto reunido neste tomo funciona como uma janela aberta para o passado.

A jornada memorialística se inicia no berço espiritual e cívico da nossa terra. Com as Memórias de Monsenhor Adelmar da Mota Valença, somos conduzidos ao epicentro da fé, da educação e da liderança comunitária que marcaram gerações. A sensibilidade literária prossegue na vertente ficcional e lírica com o conto “Senhor Artur”, do talento inconfundível de João Marques dos Santos, revelando o olhar atento sobre os tipos humanos que povoavam nosso cotidiano. E quem se aventura pelas alamedas de nossa infância não deixará de sentir o calafrio místico da crônica “Assombração no Parque Euclides Dourado”, na qual João Correia Filho resgata a mitologia urbana do nosso mais emblemático parque dos eucaliptos.

A prosa elegante e bem-humorada ganha destaque na crônica “A Sopa de Mirabeau”, lavrada pelo jornalista Marcilio Lins Reinaux, evocando a sociabilidade, as reuniões e o sabor das velhas conversas garanhuenses. Esse mesmo espírito associativo e intelectual ressoa nos registros sobre A Sociedade Cultural de Garanhuns, centro efervescente de ideias que alimentou as artes e as letras da cidade. A política e a concórdia ganham dimensão humana na pena do Dr. José Francisco de Souza em sua crônica “O Pacificador Doca Ivo”, homenagem a um homem que soube moderar paixões e erguer pontes na vida pública local. A galeria de perfis biográficos completa-se com as trajetórias e aos legados de Júlio Eutímio Brasileiro e João Paes de Carvalho, pilares do desenvolvimento e da dignidade garanhuense.

O lirismo urbano e a nostalgia ganham contornos inesquecíveis na crônica “A Rotunda”, do escritor Alberto da Silva Rêgo, que nos reconduz às manhãs festivas do Colégio Diocesano e aos giros das marias-fumaça da Great Western. Em contraponto cívico e indignado, o poeta e escritor José Gomes Sobrinho (Zé Gomes) nos presenteia com a visceral crônica “Qualquer Semelhança”, em que o menino “dono da bola” da antiga Baixinha serve de metáfora moral para os rumos do civismo e da política local.

A memória esportiva do município - coração pulsante da juventude de outrora - ganha luzes e cores vibrantes. Na crônica “Craques de Garanhuns” de Otávio Augusto. O jornal O Monitor faz desfilar os grandes nomes do futebol da terra, resgatando a lendária fotografia da Equipe do Flamengo de Garanhuns em 1920, registrada em frente à casa do escritor Luís Jardim. A paixão pelo futebol prossegue com o jornalista Paulo Roberto de Almeida Santos na crônica “Luiz Siqueira”, tributo ao ex-craque que brilhou no Esporte Clube, no Sete de Setembro, no União, no Onze e na AGA.

A dimensão histórica e fundacional da terra das flores sobressai no ensaio “Nos Campos dos Garanhuns, o Nascer de uma Cidade Secular”, que rememora a saga dos indígenas Unhanhu, a generosidade de Dona Simôa Gomes de Azevedo e o empenho do Barão de Nazaré em elevar a antiga Vila de Santo Antônio à categoria de cidade em 1879. Por fim, a intimidade familiar e a arquitetura monumental encontram-se na delicada prosa da escritora Maria de Lourdes Caldas Gouveia, que na crônica “O Sobrado de Francino Ferreira Caldas” imortaliza os testemunhos do casarão que assistiu à Hecatombe de 1917.

Que esta leitura seja para o leitor não apenas um exercício de saudade, mas um compromisso renovado com a preservação da identidade e da história de Garanhuns.

José de Anchieta Gueiros Viana de Barros

VOLUME XIV

Memórias de Monsenhor Adelmar da Mota Valença - Parte II

Senhor Artur (Conto)

Assombração no Parque Euclides Dourado

A Sopa de Mirabeau

O Pacificado Doca Ivo

Júlio Brasileiro

João Pães de Carvalho

A Rotunda

Qualquer Semelhança

Craques de Garanhuns

Nos Campus dos Garanhuns, o Nascer de uma Cidade Secular

Luiz Siqueira

O Sobrado de Francino Ferreira Caldas   

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