A jornada memorialística se inicia no berço espiritual e cívico da nossa terra. Com as Memórias de Monsenhor Adelmar da Mota Valença, somos conduzidos ao epicentro da fé, da educação e da liderança comunitária que marcaram gerações. A sensibilidade literária prossegue na vertente ficcional e lírica com o conto “Senhor Artur”, do talento inconfundível de João Marques dos Santos, revelando o olhar atento sobre os tipos humanos que povoavam nosso cotidiano. E quem se aventura pelas alamedas de nossa infância não deixará de sentir o calafrio místico da crônica “Assombração no Parque Euclides Dourado”, na qual João Correia Filho resgata a mitologia urbana do nosso mais emblemático parque dos eucaliptos.
O lirismo urbano e a nostalgia ganham contornos inesquecíveis na crônica “A Rotunda”, do escritor Alberto da Silva Rêgo, que nos reconduz às manhãs festivas do Colégio Diocesano e aos giros das marias-fumaça da Great Western. Em contraponto cívico e indignado, o poeta e escritor José Gomes Sobrinho (Zé Gomes) nos presenteia com a visceral crônica “Qualquer Semelhança”, em que o menino “dono da bola” da antiga Baixinha serve de metáfora moral para os rumos do civismo e da política local.
A memória esportiva do município - coração pulsante da juventude de outrora - ganha luzes e cores vibrantes. Na crônica “Craques de Garanhuns” de Otávio Augusto. O jornal O Monitor faz desfilar os grandes nomes do futebol da terra, resgatando a lendária fotografia da Equipe do Flamengo de Garanhuns em 1920, registrada em frente à casa do escritor Luís Jardim. A paixão pelo futebol prossegue com o jornalista Paulo Roberto de Almeida Santos na crônica “Luiz Siqueira”, tributo ao ex-craque que brilhou no Esporte Clube, no Sete de Setembro, no União, no Onze e na AGA.
A dimensão histórica e fundacional da terra das flores sobressai no ensaio “Nos Campos dos Garanhuns, o Nascer de uma Cidade Secular”, que rememora a saga dos indígenas Unhanhu, a generosidade de Dona Simôa Gomes de Azevedo e o empenho do Barão de Nazaré em elevar a antiga Vila de Santo Antônio à categoria de cidade em 1879. Por fim, a intimidade familiar e a arquitetura monumental encontram-se na delicada prosa da escritora Maria de Lourdes Caldas Gouveia, que na crônica “O Sobrado de Francino Ferreira Caldas” imortaliza os testemunhos do casarão que assistiu à Hecatombe de 1917.
Que esta leitura seja para o leitor não apenas um exercício de saudade, mas um compromisso renovado com a preservação da identidade e da história de Garanhuns.
José de Anchieta Gueiros Viana de Barros
VOLUME XIV
Memórias de Monsenhor Adelmar da Mota Valença - Parte II
Senhor Artur (Conto)
Assombração no Parque Euclides Dourado
A Sopa de Mirabeau
O Pacificado Doca Ivo
Júlio Brasileiro
João Pães de Carvalho
A Rotunda
Qualquer Semelhança
Craques de Garanhuns
Nos Campus dos Garanhuns, o Nascer de uma Cidade Secular
Luiz Siqueira
O Sobrado de Francino Ferreira Caldas

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