Iniciamos nossa caminhada sob o perfume dos jardins e a elegância urbana retratada na crônica “A Bela Praça Jardim”, do cronista Clovis de Barros Filho, que nos devolve o encanto contemplativo do coração de Garanhuns. Essa cidade poética se entrelaça à memória das artes com a passagem singular do Maestro Fernand Jouteux, o músico francês que encontrou nas terras altas do Agreste a inspiração e o refúgio para sua genialidade.
Mas a Garanhuns poética também foi palco do destemor e do confronto. A história ganha contornos de suspense e bravura nos relatos sobre a célebre Prisão do Cangaceiro João Coxo, imortalizada nas páginas do Diário da Manhã, e na perícia quase mítica do Rastejador Tenente Raimundo, figuras que traduzem os tempos em que a caatinga e o sertão desafiavam a ordem das cidades.
Retalhos de Garanhuns - Volume XIII: Memória, Afeto e Tradição na Terra de Simôa Gomes
A fé e a vocação educativa ganham relevo nas páginas dedicadas à figura monumental do Cônego Benigno Lira - o fundador do Colégio Diocesano, o pacificador em tempos de incompreensão e o sacerdote cujo trágico destino não apagou a imensidão de sua obra de caridade.
A afetividade familiar e a nostalgia das velhas tradições surgem no traço delicado de José Rodrigues da Silva na crônica “A Garanhuns dos Meus Avós”, onde o perfume do café, a chegada dos trens e as antigas feiras ganham vida. Do mesmo modo, a sensibilidade poética de João Marques dos Santos nos envolve no espírito fraterno de “O Verdadeiro Sentido de um Amigo no Natal”, uma lição de humanidade e simplicidade que ressoa na calmaria da Avenida Santo Antônio.
O amor imortal às letras e ao conhecimento encerra-se em alta voltagem emotiva com a memória de Alfredo Correia da Rocha. Na crônica “Alfredo Rocha - Morreu Como Viveu: Engolfado nas Letras”, acrescida da comovente homenagem dos seus confrades do Grêmio Cultural Ruber van der Linden, testemunhamos o instante derradeiro do intelectual que tombou servindo à cultura, sacramentando no “castelar dos dias” sua dedicação à literatura.
Por fim, o fecho de ouro desta coletânea mergulha nas raízes profundas da liderança e da ética. Em “O Político e as Raízes de Antônio Souto Filho”, sua filha Gerusa Souto Malheiros traça um perfil comovente e límpido do ex-chefe político e parlamentar. Entre o ranger dos trens que traziam a comitiva à Praça Dom Moura emerge o retrato de um homem descendente do histórico Sítio Mochila, que fez da política um exercício de conciliação, integridade e amor à sua terra.
Cada texto aqui reunido funciona como uma janela para o passado, permitindo ao leitor de hoje compreender os alicerces afetivos e históricos sobre os quais Garanhuns se ergueu.
Boa leitura por estas páginas repletas de saudade, história e vida!
José de Anchieta Gueiros Viana de Barros.
VOLUME XIII
A Bela Praça Jardim
Francisco Veloso da Silveira
A Prisão do Cangaceiro João Coxó
Maestro Fernand Jouteux
Zé Pitanga - Tipo Popular
O Rastejador Tenente Raimundo
Rossini Moura e os Amigos do Jornal O Monitor
Cônego Benigno Lira
A Garanhuns dos Meus Avós
O verdadeiro Sentido de um Amigo no Natal
Alfredo Rocha Morreu Como Viveu - Engolfado nas Letras
O Político e as Raízes de Antônio Souto Filho

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