Ao abrir as páginas deste volume, o leitor é transportado para momentos decisivos do interior nordestino. A presença aterradora e mítica do cangaço ecoa no episódio em que Lampião visita a fazenda do deputado Souto Filho, revelando as intrincadas e perigosas relações entre o poder político regional e o banditismo sertanejo. Sob a mesma luz da história e do Direito, somos conduzidos ao encontro entre Antônio Silvino e Elpídio de Noronha Branco na Casa de Detenção em 1930, sob o relato do próprio Elpídio Branco, em um relato raro de encontros atrás das grades que revelam as dinâmicas sociais da época.
O cotidiano garanhuense e seus tipos inesquecíveis ganham relevo através da contribuição fundamental de grandes memorialistas e historiadores. Clovis de Barros Filho nos brinda com o humor e a verve regionalista na crônica “O Castigo do Padre Adelmar”, enquanto o historiador José Francisco de Souza imortaliza a dignidade do trabalho simples no perfil de “Pedro Sapateiro”. A imprensa e a perseverança sertaneja também encontram o seu tributo na narrativa de Aguinaldo de Barros e Silva, em “O Aprendiz de Tipógrafo que Comprou uma Gráfica”, verdadeira ode ao esforço pessoal e à história do jornalismo gráfico local.
A paisagem natural e os caminhos de ferro que moldaram o progresso do Agreste não foram esquecidos. Pedro Jorge Silvestre Valença lança um olhar de alerta e saudade sobre o ecossistema local na crônica “O Canhoto já foi o Rio do Leite”, contrastando a fartura de outrora com as transformações do presente. O som do apito da locomotiva e o vapor do progresso cortam as páginas na crônica do jornalista Marcilio Lins Reinaux, “Um Trem na Lembrança”, evocando a época em que os trilhos da Great Western conectavam Garanhuns ao Recife.
Por fim, a musicalidade que sempre embalou as noites de nevoeiro da cidade transborda em dois registros magistrais: o minucioso relato do grande pesquisador Alfredo Leite Cavalcanti sobre “As Serenatas em Garanhuns no início do Século XX”, resgatando os luares e as cordas que ecoavam pelas ruas de pedras; e a tocante pesquisa do jornalista Gilvando Paiva em “Homenagem ao Cantor Augusto Calheiros”, a Patativa do Norte, cujos laços com Garanhuns marcaram a era de ouro da música popular brasileira.
Reunir estes textos no Volume XV é mais do que prestar uma homenagem aos que escreveram o nosso passado; é entregar às futuras gerações o espelho de sua própria identidade. Que a leitura deste volume renove em cada leitor o amor por Garanhuns e o respeito à preservação de sua história.
José de Anchieta Gueiros Viana de Barros
VOLUME XV
Lampião Visita a Fazenda do Deputado Souto Filho
Colégio Santa Sofia do Meu Tempo - Arlinda da Mota Valença
Isaura Gonçalves de Medeiros
Dr. Celso Galvão
O Castigo do Padre Adelmar
O Canhoto já foi o Rio do Leite
Um Trem na Lembrança
Antônio Silvino e Elpídio Branco na Casa de Detenção em 1930
O Aprendiz de Tipógrafo que Comprou uma Gráfica
Pedro Sapateiro - Tipo Popular
As Serenatas em Garanhuns no Início do Século XX
Homenagem ao Cantor Augusto Calheiros

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